Município de Canoas é o primeiro a incluir Libras em currículo escolar no RS

Publicado por Departamento em Geral

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Publicado em 15 de março, 2019 | Nenhum Comentário

A cidade de Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, é a primeira no Rio Grande do Sul a incluir aulas de Língua Brasileira de Sinais (Libras) no currículo escolar. A implementação da nova base curricular acontece a partir do ano que vem, nas escolas que têm alunos surdos e mudos.

As competências e habilidades que devem ser adotadas pelas escolas estão descritas no Referencial Curricular de Canoas, documento aprovado no final do ano passado pelo Conselho Municipal de Educação.

A Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Bilíngue Vitória será a instituição modelo para o currículo de Libras na cidade. No local, são atendidos cerca de 40 alunos e as aulas são ensinadas em Libras e em Português. As duas disciplinas têm a mesma carga-horária de ensino, com três períodos semanais para cada conteúdo.

“A EMEF Vitória é uma escola que faz um trabalho diferenciado, é uma exceção dentro da rede pública de ensino em Canoas e no Rio Grande do Sul. A escola é um universo que respira a comunicação de sinais, pensada exclusivamente para o desenvolvimento pedagógico das crianças e adolescentes surdos”, diz a secretária da Educação de Canoas, Neka Escobar.

A EMEF Vitória é uma das instituições de ensino bilíngue no Rio Grande do Sul, ao lado da Salomão Watnick, de Porto Alegre, e da Carmem Regina Teixeira Baldino, de Pelotas, no Sul do estado.

 Rede estadual

A Secretaria Estadual de Educação informou ao G1 que todas as escolas da rede, que possuem estudantes surdos, contam com um profissional habilitado de Língua Brasileira de Sinais (Libras).

A rede estadual conta com cinco instituições de ensino voltadas especificamente para a educação de alunos com deficiência auditiva/surdez que atendem o total de 250 estudantes.

A primeira, fundada no ano de 1998, chama-se Escola para Surdos Professora Lilia Mazeron, em Porto Alegre.

Confira a lista das escolas estaduais de ensino para alunos surdos:

  • Lilia Mazeron – em Porto Alegre
  • Dr. Reinaldo Fernando Coser- Santa Maria
  • Helen Keller – Caxias do Sul
  • Keli Meise Machado- Novo Hamburgo
  • Padre Reus- Esteio

 Currículo de ensino

 Em Canoas, na EMEF Vitória, nas séries iniciais do 1º ao 4º ano, o objetivo do currículo é tornar as crianças fluentes em Libras. Nesta fase de ensino, os alunos aprendem elementos da cultura surda e refletem sobre as particularidades dos portadores de deficiência auditiva.

Considerada uma fase de transição, o 5º ano recebeu uma descrição à parte dentro do documento.

“Além da gramática e da semiótica, que já são abordados desde as séries iniciais, os alunos da 5ª série iniciam um novo processo de aprendizado também voltado para a prática de produção textual e interpretação de textos sinalizados, por exemplo”, explica a professora de Libras, Patrícia da Cunha.

Na fase final do ensino fundamental, os estudantes aprofundam o conhecimento da Libras. Em um estágio mais avançado, os professores já realizam atividades de análise linguística, ensinado os alunos a identificar e saber empregar os pronomes, adjetivos e as expressões interrogativas, tanto na sinalização, como na escrita.

Os jovens também são provocados a associar as frases aos tempos verbais, assim como empregar os verbos nos trabalhos de sala de aula.

É também neste período escolar que os estudantes aprendem sobre os componentes históricos e de identidade do surdo. Os professores exploram a construção histórica dos surdos em diferentes partes do mundo, o reconhecimento das organizações sociais que representam a comunidade surda, além da compreensão da importância da luta e das conquistas das pessoas com dificuldades auditivas.

“Quando construímos o currículo, nossa preocupação foi avançar para além do aspecto linguístico. O surdo precisa, desde cedo, se auto-reconhecer no mundo e na sociedade. E a nossa escola tem um papel fundamental neste processo de construção da identidade por meio de ensinamentos históricos, éticos e de cidadania”, avalia Lucimeri.

 Salas personalizadas e tempo integral

Na EMEF Vitória, que atende aos alunos em tempo integral, todos os professores e a equipe diretiva se comunicam em Libras. Os demais funcionários são treinados para ter fluência.

As salas de aula foram personalizado para os surdos, com espaços planejados com apelo visual chamativo, característica marcante no processo de aprendizado da Libras.

Neste ano, a escola irá passar pela fase de conhecimento e adaptação do novo currículo, construído no referencial do município. Após discussões com a comunidade escolar, será construído o novo Projeto Político-Pedagógico da instituição de ensino, que passará a valer a partir do próximo ano. Em 2020, a EMEF Vitória irá adotar em definitivo a nova base curricular.

*G1/RS. 

 

 

 

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